terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mil numa

Sou mil em uma só,
desejos e incertezas

A linha tênue entre medo e satisfação não é longa
Mas poderosa e difícil de se alcançar
Ao mesmo tempo em que está a somente dois passos de distância:
O primeiro passo é levantar
O segundo é caminhar.
E só

O instinto está no prazer
O pudor está no querer

As violações dependem somente da regra imposta
E a resposta...
está ali
ou melhor, AQUI.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Senhas

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto.

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

(música de Adriana Calcanhoto)

sábado, 8 de janeiro de 2011

ruínas

Andando por aquele lugar desabitado, o medo tentava me preencher - não poderia me permitir à esse luxo. Frases flutuavam na minha imaginação, como num desenho animado. No escuro, meus passos quebravam o silêncio e aquele ritmo contínuo me envolvia. Em alguns momentos, via sombras, ouvia outros passos e alguns sussurros, mas eu me recusava a olhar. Com os braços cruzados, sozinha, ergui ainda mais a cabeça e segui em frente. Nas ruas da cidade, meu corpo era como um farrapo e eu era só uma alma a vagar, compulsoriamente. Aquelas ruas que retratavam minha infância não significavam nada, as pessoas que passavam por mim eram indiferentes. Enquanto seguia meu pensamento voava num ritmo ímpar, já não sabia mais se aquilo tudo era real ou não. Mais adiante, meus braços se descruzaram e me senti muito mais forte e completa. Aprendi a lidar com a noite, a melancolia deu espaço à lembrança para que o escuro se esvaíssse em luz.